Inútil dormir que a dor não passa.

Vocês veem o meu silêncio de um modo ruim. Isso é ruim porque meu silêncio se resume em somente falta de fala, ou assunto que valha a pena compartilhar. Minha exclusão é analítica. Minhas respostas planejadas são defesas. Minha expressão de discórdia é  desdenho. É nada mais que meu muro. Minha forma de proteção. E sei lá, hoje bateu aquela crise de me achar muito diferente e incomum, principalmente quando, ah não sei  mais. Quero dormir só, por horas e horas. Depois, um porre. Um beck. Uma foda. Um livro, uma viagem, um amor. Um algo, um alguém  uma coisa, um ser, que me complete. Que me faça ver a pessoa boa escondida em mim, eu sei da existência. Não sou essa pessoa fria, não sou esse monstro todo. É um escudo, entende? Como o Cazuza disse, "Minha criança, minha vingança é boba, se eu te escondo o jogo, se eu te trato mal, é tudo medo, é tudo medo do amor". Ai me entenrde, tá? Vê se me entende. Tenta ter paciência, eu tenho um melhor que vale a pena. E agora me vem esse pseudo choro, e nem isso era. Não consigo mais uma lágrima, uma reles lágrima. Um sentimento sequer por alguém, fora minha família e meus amigos. Depois de um tempo, a gente para de procurar defeito nas relações e nos outros, para de culpar o destino e o acaso e se foca no que temos de ruim e podemos melhorar. Acredite, já passei por essas fases e cá estou, sozinha mais uma vez. É o que isso, um teste de resistência? Se for, eu desisto. Você, seja lá quem for, ganhou essa batalha. A luta, a guerra. Queres o que? Eu dou! Juro, se não puder, eu trabalho e compro. Se não for de comprar, eu batalho, a gente conversa e entra em acordo. Porque eu não sei  mais o que fazer, cara. Esse vazio dá lugar a tanta coisa se encaixar, tantas desbotamentos, desavenças  Eu fico perdida em mim. Eu tentei, tantas vezes. Eu passei por cima do meu orgulho, eu fui idiota, besta, ignorante. Fria, grossa, gente boa, rockeira, analista. Paciente, melhor amiga, mãe. Eu não sei mais o que é gelar as mãos, coração saindo pela boca, tremor nas pernas, garganta seca. Ai, me apego a coisas vãs, a detalhes, a poréns. E ninguém nunca é bom o suficiente pra mim. E eu nunca sou boa o suficiente pra alguém. Eu queria um amor estilo Nicholas Sparks, Ronnie e Will, ele entendendo os defeitos dela, sem pressa. Ai, reparo bem e vejo que tudo nos filmes e nos livros se encaixam tão bem. Assisto, leio e me entrego, sinto uma puta vontade de mudar minha realidade, faço meus planos, minhas utopias, minhas idealizações, mas assim que me deparo com minha realidade murcho. Não sei se eu sou o problema ou talvez seja ous outros. "Não toca  nada mais que sertanejo aqui?". Ah, é em Pernambuco que o amor se encontra  Irei pra lá. Irei pra Minas, me enquadrar em mais uma realidade submissa a minha. Conhecer pessoas tão vazias quanto as que eu já conheci em toda minha longa vida de 17 anos. Até ia por 16, que tipo de pessoa se esquece da sua idade? Ainda bem que tenho a escrita. Tava eu em uma social, plenamente perdida, o que me deu mais margem pra pensar em tudo isso. Talvez eu não devesse reparar tanto, achar tantos defeitos. Mas minhas vontades falam mais alto, sou egoísta demais pra abrir mão do que me faz bem pra ver outra pessoa assim, se eu  não souber se vale mesmo a pena. Amor é coragem, e eu sou medo. Quero um porto pra escorar a cabeça, uma mão fria pra esquentar, um cabelo pra ver meus dedos perdidos. Uma pessoa. Olha, não precisa ter barba ou gostar de Los Hermanos. Precisa ser só paciente. Eu queria tanto.